Triagem e Diagnóstico

O diagnóstico de Paralisia Cerebral (PC) pode ser um processo bastante demorado, em alguns casos. 

Paralisia Cerebral

Em 2019, a pesquisadora Anna te Velde, que faz parte da Cerebral Palsy Alliance e é pesquisadora da Faculdade de Medicina e Saúde da Universidade de Sydney, na Austrália, publicou, com outros pesquisadores, um artigo abordando o diagnóstico precoce e a classificação da PC.  Neste artigo eles apresentaram uma perspectiva histórica sobre o dianóstico da PC e discutiram sobre as principais barreiras que dificultam este diagnóstico.  Por se tratar de um estudo bastante recente e feito por pesquisadores de referência na área da reabilitação, achamos ser relevante trazer aqui algumas considerações apontadas neste estudo. 

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O diagnóstico de PC tem sido tema de debates ao longo da história. A primeira descrição da condição clínica da PC é datada de 1861, quando Willian Little explicou a asfixia do nascimento como causa de distúrbio neurológico em crianças. Já o termo Paralisa Cerebral foi marcado por Willian Osler, em torno de 1889. 

no século XIX, Willian Little defendia a necessidade do diagnóstico precoce para que as crianças pudessem ser estimuladas também precocemente, porém nenhuma mudança com relação à idade do diagnóstico foi observada naquela época. Em meados do século XX, uma australiana chamada Jean Macnamara fez ouvir sua voz questionando se a atenção ao diagnóstico precoce da PC estava realmente sendo dada de forma efetiva. Ela defendia que este deveria ser dado antes do desenvolvimento das deformidades. 

A ideia de que o diagnóstico de PC não era possível de ser realizada até 3 - 5 anos de idade prevaleceu até mais da metade do século XX. Acreditava-se que existia um período neurologicamente silencioso, no qual nada podia ser observado com precisão. Foi a partir das dácadas de 70 e 80 que algumas mudanças começaram a acontecer. A noção de risco e fatores de risco foram introduzidadas para explicar e identificar quais crianças deveriam ser acompanhadas de perto nesse período silencioso. A partir daí houve um aumento do conhecimento e das ferramentas que buscavam identificar precocemente a PC para que as intervenções também pudessem ser as mais precoces possíveis.  Passando pela identificação de reflexos primitivos anormalmente retidos, a utilização de ultrassom craniano e o uso da ressonância magnética, reomendada pela Academia Americana de Neurologia, em 2004, como uma ferramenta para o diagnóstico de PC, o maior avanço para  quebrar o paradigma de que os bebês são neurologicamente silenciosos nos primeiros meses de vida foi a criação da Avaliação dos Movimentos Gerais (General Movements), descrito pela primeira vez na década de 1990. 

Vários são, hoje em dia, os instrumentos de avaliação para o diagnóstico precoce da PC. Observa-se, porém, que este ainda ocorre tardiamente. Nos países desenvolvidos o diagnóstico geralmente ocorre de 12 a 24 meses, aproximadamente, e o tempo para este diagnóstico pode chegar a até 5 anos em países em desenvolvimento.  

Um Breve Histórico

Se você está preocupada(o)

Se você suspeita que sua criança pode não estar adquirindo metas do desenvolvimento ou suspeita que ela tenha paralisia cerebral, entre em contato com seu médico ou com um fisioterapeuta e compartilhe suas preocupações. Em caso de dúvidas eles poderão te encaminhar para um especialista em desenvolvimento para que seja feita uma avaliação mais profunda visando a elucidação do diagnóstico. 

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O ideal, porém, é que este diagnóstico aconteça de forma precoce, pois é nos primeiros anos de vida da criança que o seu sistema nervoso estará passando por transformações significativas e é muito importante que as intervenções terapêuticas aconteçam desde cedo.  

Geralmente o diagnóstico é feito a partir da associação de:

  • monitoramento do desenvolvimento da  criança
  • testes de triagem do desenvolvimento 
  • exames complementares para diferenciar de outras condições clínicas

Referências: 

Velde, A. te,  Morgan, C., Novak, I., Tantsis E., Badawi, N.  Early Diagnosis and Classification of Cerebral Palsy:
An Historical Perspective and Barriers to an Early Diagnosis. J. Clin. Med. 2019, 8, 1599; doi:10.3390/jcm8101599

Brasil, 2014. Diretrizes de Atenção à pessoa com Paralisia Cerebral. Ministério da Saúde.